2.7.06

# vidalou

cá entre nós, vida lou
ca.

Dia de jogo, Noite de bebedeira.

Casa de amigos.
e tudo bem, e tudo bem, e tudo bem.

Depois,
Recife Antigo.

e tudo bem, até.

passar mal, zonzo e .

urghhh (vomitar)

Não fosse um detalhe: um colchão.

Fui numa esquina e, para não sujar todo o chão do local, vomitei em cima de um saco preto de lixo!

Bom, até ali era um saco de lixo.

Uma mulher ensandecida veio me dizer, em pleno "rauurghh", que eu estava sujando o colchão em que sua filha iria dormir (e que supostamente estaria lá dentro do tal saco de lixo preto* supostamente porque não vimos o colchão em nenhum momento)

Tentei me explicar.
"é um saco de lixo, senhora"

Não importava, ela queria dinheiro.
"eu quero meu dinheiro! meu colchão, mneu colchão!!!"

De repente, ela chamou um cara lá, pra nos "cobrar".
(Imaginemos a delicadeza da cobrança: "vai limpar o colchão, vai pagar! eu acabei de sair da cadeia, matei gente e o serviço não é difícil! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! " e vários agarrões e puxavancos.

Tudo girando nessa loucura, gente olhando.
Aí um policial gordinho, bigodudo e leso chegou e ficou arbitrando a situação, ou melhor, esperou que nos resolvessemos.

A resolução: 20 reais.

Não sem antes eu ser acusado por um cara que estava olhando a confusão de "atentado ao pudor". vá entender!

Por fim, o gordinho silencioso (o policial) nos acompanhou até a ponte do cais, para pegarmos o ônibus.

acho que é isso.
ao menos é o que minha cabeça registrou
entre a mente etílica e assustada
(e sã, na confusãopassalombra)

29.6.06

# só pra constar

estou em aula!

quinta-feira, 15h04.

tempo tempo mano velho

o que é que se faz
na foz?

na foz!?
na foz?!?!

é preciso cair na vida!
e só.

# perdendo dentes

sono.
só o sono.

o corpo: estou só o pó (chavão).

cansado calado acuado
com jeito de sem-pensa.

acordar às 03h40.

sim sim sim
estou assim.

por quanto?

21.5.06

# pueril?! o pulo

Recife e suas chuvas
só me divertem quando posso pular poças d'água na companhia de uma criança!

vira festa
faz sentido.

# pára - sol

Ainda me livro do sol,

essa Bola-Incandecente-Sempre-Incômoda.

Arra!

Ele não percebe que tenho astigmatismo?!



Pior: eu sei que ele zomba disso!

# boa noite, estranho!

Conselho de mãe: "sempre deve se dar bom dia, boa tarde, boa noite!".

O caso é que nunca consegui praticar meus deveres de etiqueta, de sociabilidade, cortesia com muito jeito.

Tudo isso ficou perdido numa infância remota.

Eu me reviro pra dar um boa noite a um estranho, tenho comichões!
É muito bizarro.

Fico parecendo um sujeito mal-educado, sem modos. rs. tsc tsc.

Acontece que minha cabeça não gira bem com essas coisas, tenho defeitos com o tempo e com a sociabilidade.

Aqui no Janga, por exemplo, tem dois sujeitos que
sempre que passam por mim me dão boa noite!

Em situações-limite, como no elevador, por exemplo, ainda acho compreensível.
Mas no meio da rua, no meio da noite, no meio da vida. sei lá.

É nonsense! algo tão banal, corrente, mas me sinto extremamente invadido.
É como se na hora do filme, eu bem acomodado em minha poltrona, alguém acendesse a luz do cinema.

Fico me virando com essa minha misantropia regulada.
Já fui pior, já fui melhor.

Dia desses um policial militar que mora aqui perto de casa - e com quem eu nunca conversei nada, nem sobre o tempo ou coisas do futebol - passou por mim, que estava voltando da faculdade, cansado.

Foi logo disparando: "Boa noite!!"

Não sei como agir nessas situações.
Me senti mal. Fiquei em silêncio.
Com um pouco de raiva até.

Vontade de mostrar bem os dentes para o PM e rosnar:
Boa noite, estranho!

25.3.06

# não-subindo em árvores

Minha mãe me chamou para olhar
o pé de goiaba que fica atrás do meu prédio.

Está carregado, todo amarelo, pleno.

Fiquei mastigando, ruminando o tempo antigo na boca.

Antigamente me esbaldava em cima dele.

Nem gosto tanto de goiaba, mas era uma festa ficar pendurado nele.

Passava horas.

Sobre os galhos mais finos aprendi a não ter tanto medo
e me lançar sobre as palavras
(minha mãe ficava na janela, falando quais os frutos gostaria que eu pegasse).

menino, menino, menino.

O pé de goiaba foi perdendo a força, a vitalidade.
Quase não sorria na época de gerar seus filhos.

Hoje
me espantei com seu vigor, sua energia renovada.

Fiquei da janela
vagando um bom tempo
perdido entre seu verde
e os olhos floridos desse amarelo vivo.

Mais claro que os calendários riscados,
que o rosto grave
e esse corpo pesado

percebi o tempo fluindo em mim
quando não tive ânimo nem coragem
para subir no pé de goiaba.